Mobilização territorial
A contaminação dos corpos d'água e do solo nos territórios do Portal do Sertão e do Recôncavo Baiano, agravada pelo descarte inadequado de óleos e gorduras residuais (OGR), despertou no Instituto Tecer Caminhos a vontade de mudar essa realidade.
Apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos determinar a destinação adequada do OGR, a ausência de infraestrutura, orientação e cultura de descarte correto ainda compromete a qualidade de vida das comunidades locais. Com experiência na articulação de redes socioambientais nesses territórios, o Instituto desenvolveu, junto com cooperativas de catadores e governos municipais, o projeto Óleo no Caminho Certo.
Desde então, reuniões, visitas técnicas e parcerias foram firmadas, e o projeto começou a decolar. Hoje, conta com oito municípios integrados à cadeia produtiva do descarte correto de óleo e gorduras residuais. São eles: Amélia Rodrigues, Anguera, Antônio Cardoso, Irará, Santo Amaro, Santo Estêvão, Rafael Jambeiro e Terra Nova.
E qual é, afinal, esse caminho? Começa pelo simples: o óleo que antes iria para o ralo da pia passa a ser descartado corretamente em um vasilhame de plástico, garrafa pet ou outro recipiente semelhante. Seja o óleo que sobrou da fritura do almoço ou de uma produção considerável de pastéis, aquela garrafa que você guardou no quintal e não sabia para que servia pode virar o recipiente ideal para armazenar esse óleo, em vez de jogá-lo na pia. Sim, um óleo que é altamente poluente e causa danos imensuráveis ao meio ambiente. Na prática, segundo estimativas da Sudema e da Ubrabio, um litro de óleo descartado incorretamente na pia é capaz de poluir até 20 mil litros de água, contaminando rios e lençóis freáticos.
Seguindo a ideia de que, para mudar o mundo, é preciso começar mudando ao seu redor, a Tecer Caminhos sistematizou, junto a parceiros como a COOBASE – Cooperativa de Trabalho dos Catadores Badameiros de Santo Estêvão, a COOACRI – Cooperativa de Agentes Catadores da Região de Irará, a ACRESA – Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Santo Amaro, a Associação Comunitária dos Ribeirinhos de Ilha de Antônio Cardoso e Adjacências, a ASMAC – Associação Manoel Cajazeiras, em Anguera, a Associação de Bairros e Coleta Seletiva, em Terra Nova, além das secretarias municipais de Amélia Rodrigues e de Rafael Jambeiro, uma rede de coleta e descarte correto do óleo.
Assim, o óleo que antes seria descartado agora tem para onde ir: basta esperar esfriar, armazenar e levá-lo a um dos pontos de coleta implantados nos municípios, fruto da parceria entre poder público, associações e cooperativas.
Essas instituições disponibilizam locais que funcionam como pontos de coleta para receber o óleo. E como isso é feito, na prática? É aí que entram catadores e catadoras, protagonistas dessa logística, responsáveis por coletar o óleo em cada ponto. Depois, ele é destinado e comercializado para a produção de biodiesel, sabão, tintas, lubrificantes e outros insumos industriais. Um dos grandes parceiros e incentivadores do projeto tem sido a Petrobras Biocombustível S.A.
Essa parceria dá ainda mais sustentação a um projeto com grande potencial de crescimento. Além de movimentar a economia local, gerar renda para catadores e catadoras e reduzir o impacto ambiental, o projeto se propõe a ser um divisor de águas na cultura do descarte de óleo – mudando, aos poucos, práticas e costumes em cada localidade.
E na sua casa, ou estabelecimento, o óleo já tem para onde ir? Confira o ponto de coleta mais próximo de você e faça parte dessa rede que transforma resíduo em renda e cuidado com o meio em que você vive.
